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Quais os tipos de medicamentos e suas diferenças?

As caixas de remédio que você vê na farmácia parecem ser todas iguais? Entenda sobre os principais tipos de medicamentos que temos à nossa disposição.

28 de junho de 2018 - Maxifarma

Quando tomamos um remédio, nosso objetivo costuma ser eliminar a causa de uma doença, aliviar um sintoma ou prevenir um problema de saúde. E é claro que, para dar conta de tudo isso, existem diferentes tipos de medicamentos – embora muitas vezes as embalagens tenham as mesmas cores e os comprimidos sejam todos iguais.

Podemos classificar os medicamentos a partir de diversos critérios, mas hoje, em especial, vamos falar sobre os diferentes tipos de remédios conforme o seu princípio de ação, a forma de produção e o modo como eles são registrados e autorizados no país. Confira:

Tipos de medicamento quanto à origem e ao princípio de funcionamento

Uma forma de classificar os medicamentos é conforme o tipo de matéria-prima utilizado em sua produção (por exemplo: folhas de plantas, substâncias químicas isoladas, tintura-mãe etc.).

Outro fator que podemos considerar para fazer essa classificação é o princípio básico do funcionamento do medicamento, ou seja, se ele produz efeitos contrários aos da doença ou se simula a doença com menos intensidade e, assim, “ensina” ao corpo como se livrar dela. De acordo com esses critérios, temos três tipos de medicamentos principais:

1. Medicamentos alopáticos

Os medicamentos alopáticos são assim definidos porque seu efeito segue o princípio da “cura pelos contrários”, isto é, seu objetivo é produzir um efeito contrário a um sintoma da doença ou neutralizar a sua causa.

É por esse motivo que a maioria das classes de medicamentos desse grupo tem o nome começado por “anti”, como antibiótico (mata as bactérias), anti-inflamatório (neutraliza a inflamação), antialérgico (combate a cadeia de reações da alergia), entre outros.

Esses medicamentos podem ser produzidos com matérias-primas de qualquer origem (animal, vegetal ou mineral), as quais passarão por etapas de processamento como extração e purificação, ou com substâncias químicas sintetizadas em laboratório.

Os medicamentos alopáticos são os mais utilizados na medicina tradicional, são produzidos em larga escala pela indústria farmacêutica e correspondem a maior parte dos produtos vendidos em uma farmácia, estando disponíveis em xarope, comprimido, cápsula, gotas etc. Alguns exemplos são paracetamol, ácido acetilsalicílico, dipirona, carbocisteína, nimesulina, azitromicina etc.

As maiores desvantagens dos medicamentos alopáticos são a alta toxicidade quando administrados de forma incorreta e seus potenciais efeitos adversos.

2. Medicamentos homeopáticos

Ao contrário dos alopáticos, os medicamentos homeopáticos promovem a “cura pelo semelhante”, ou seja, eles utilizam as mesmas substâncias que estão causando o problema (ou que causem sintomas parecidos) para ensinar o corpo a combatê-lo – assim como diz a máxima “picada de cobra se cura com o próprio veneno”.

Isso é possível porque a homeopatia segue o princípio de que as doenças não têm uma causa mecânica; em vez disso, elas surgem a partir de um desequilíbrio do organismo. Dessa forma, ao fornecer a ele substâncias que causem os mesmos sintomas, mas em doses muito pequenas, o corpo aprender a lidar com eles e a neutralizá-los.

Os medicamentos homeopáticos são produzidos individualmente, com uma prescrição única para cada pessoa. Dessa forma, tanto as substâncias que são utilizadas quanto as suas doses variam de paciente para paciente – o que faz com que esses medicamentos precisem ser manipulados (ou seja, feitos “manualmente”).

As matérias-primas utilizadas na produção dos medicamentos homeopáticos podem ter qualquer origem, inclusive algumas bastante curiosas como poeira doméstica (para tratar alergias respiratórias). Alguns exemplos são Aceticum acidum, Agaricus muscaria, Apis mellifica, Belladona, Iris versicolor, Tarantula hispanica e a série Almeida Prado.

3. Medicamentos fitoterápicos

Esses medicamentos têm seu funcionamento com base na cura pelos opostos, assim como os medicamentos alopáticos. A diferença é que os fitoterápicos são produzidos exclusivamente com matérias-primas de origem vegetal, isto é, partes de plantas medicinais (raízes, folhas, flores etc.) cujo efeito no organismo já foi comprovado cientificamente.

Dessa forma, um medicamento fitoterápico à base de boldo, por exemplo, é diferente de um chá de boldo caseiro, pois o medicamento passa por uma padronização na quantidade de princípio ativo (“dose”) – algo que é impossível conhecer quando se trata de um chá.

Alguns exemplos desses medicamentos são espinheira-santa, guaco, cáscara-sagrada, babosa, centelha-asiática, ginkgo biloba, erva-de-são-joão e hamamélis, desde que essas plantas passem por uma extração em laboratório para que a dose do princípio ativo possa ser padronizada em cápsulas, comprimidos, xaropes etc.

Muitas pessoas imaginam que, por serem mais “naturais”, medicamentos fitoterápicos e homeopáticos não oferecem efeitos adversos, mas isso não é verdade. Embora costumem ser menos tóxicos que os medicamentos alopáticos, o uso inadequado pode sim trazer consequências indesejadas.

Tipos de medicamentos em relação ao registro

Outra forma de classificar os medicamentos é pelo seu registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que está relacionado com o fato de o produto em questão ser ou não inovador. Mais uma vez, existem três tipos de medicamentos:

1. Medicamentos de referência

São desenvolvidos por um fabricante a partir de um longo processo de pesquisa, produção e testes para comprovar sua segurança e eficácia, resultando em medicamentos inovadores também conhecidos como “remédios de marca”.

Esses medicamentos costumam ter um nome comercial bastante conhecido, como Aspirina, Tylenol, Novalgina, Dramin, Cataglam, Labirin, Digesan, Zyrtec, Profenid, Rivotril, Polaramine, Diazepan etc.

Por serem patenteados, esses medicamentos não podem ser copiados por vários anos. Quando a patente expira, as cópias devem ter as mesmas características que eles (dose, forma farmacêutica, via de administração etc.), e é por isso que eles são chamados de “medicamentos de referência”.

2. Medicamentos genéricos

São medicamentos que contêm o mesmo princípio ativo e as mesmas propriedades de um medicamento de referência, sendo intercambiáveis com eles por terem sido aprovados em testes de bioequivalência (análises que comprovam que os efeitos de um genérico são iguais aos do medicamento de referência).

Esses medicamentos são comercializados com o nome do princípio ativo, sem apresentar um nome fantasia, e são facilmente reconhecidos por terem uma tarja amarela e uma letra G em sua embalagem.

Alguns exemplos são paracetamol, dipirona monoidratada, fluconazol, furosemida, haloperidol, ibuprofeno, lidocaína, loratadina, maleato de dexclorfeniramina e meloxicam.

3. Medicamentos similares

São as “cópias” dos medicamentos de referência produzidas depois da expiração da patente, vendidas com nome fantasia para não serem confundidas com os genéricos.

Os medicamentos similares apresentam as mesmas características dos “remédios de marca” registrados anteriormente na Anvisa, podendo variar apenas em relação ao tamanho, prazo de validade, excipientes e veículos (substâncias adicionadas ao princípio ativo para dar estabilidade, melhorar o sabor etc.).

Devido ao fato de não terem passado pelas etapas de pesquisa e desenvolvimento, os medicamentos similares são mais acessíveis que os de referência. Contudo, por também não terem sido submetidos aos testes de bioequivalência (como acontece com os genéricos), geralmente eles não são intercambiáveis com os outros tipos.

Veja alguns exemplos de medicamentos de referência e seus similares:

  • Brondilat: Acedilat, Broncolex, Broncomucol, Bronfilil, Broontek, Dilabronco;
  • Diane 35: Artemidis 35, Diclin, Diproterom, Duellen, Dunia 35, Ferane 35, Jaque;
  • Digesan: Bremetix, Bromogex, Digelive, Digesigma, Digesol, Digesprid, Digestil;
  • Valium: Compaz, Dienzepax, Relapax;

Existem outras formas de classificação e seria praticamente impossível incluir todos os tipos de medicamentos em um único artigo. O mais importante disso tudo é que, devido a todas essas diferenças, você sempre deve buscar a orientação de um médico ou farmacêutico antes de consumir qualquer remédio, combinado?

Fonte(s): Minuto Saúde, IDEC, Minha Vida, Portal da Educação, Conexão Itajuba, UFIF e Anvisa