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Por que os homens vivem menos do que as mulheres?

Entenda por quais razões as mulheres vivem, em média, alguns anos a mais do que os homens.

08 de abril de 2019 - Maxifarma

Você já parou para pensar por que, em média, os homens vivem menos do que as mulheres em praticamente todas as partes do mundo? Embora a expectativa de vida tenha crescido para todos os sexos, as mulheres ainda tem perspectivas de uma vida mais longa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 indicaram que a expectativa de vida das mulheres ao nascer é de 79,6 anos enquanto a dos homens é de 72,5 anos. Trata-se de um avanço significativo em termos de saúde. Para se ter uma ideia, na década de 40 a expectativa de vida média do brasileiro era de apenas 45,5 anos.

As razões para as melhorias são muitas: avanços da medicina e melhorias na saúde pública, por exemplo, reduziram a mortalidade infantil. No entanto, curiosamente, a diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres continua existindo. E por quais razões isso acontece?

Diferença é perceptível também entre os primatas

De acordo com um estudo publicado pela revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, essa diferença acontece não apenas entre homens e mulheres, mas também entre outros primatas de sexo oposto, conforme explica Fernando Colchero, pesquisador do centro Max Planck, na Dinamarca, e co-autor do estudo, em entrevista à BBC.

Contudo, embora essa diferença exista, explicar as suas razões não é uma tarefa simples – e, ao menos por enquanto, não há uma resposta certa para isso, mas sim muitas hipóteses. Susan Alberts, professora de biologia na Universidade de Duke, nos Estados Unidos, diz que que a desvantagem masculina tem raízes evolucionárias profundas.

Uma das razões, apontadas até mesmo em diversas postagens de humor na internet, é a de que os homens correm mais riscos do que as mulheres. Os homens fumam mais do que as mulheres e vão menos ao médico, por exemplo, o que os coloca em um grupo no qual os riscos de morte são maiores.

Outras hipóteses incluem a possibilidade de que os homens tenham sistemas imunológicos menos eficientes do que o das mulheres e também o fato de que as mulheres têm dois cromossomos X (XX), enquanto os homens têm apenas um (XY). Nesse caso, se houver genes cruciais para a sobrevivência no cromossomo X, então as mulheres teria uma vantagem genética.

Expectativa de vida em alta, mas diferença persiste

A expectativa de vida dos seres humanos deve continuar crescendo nas próximas décadas, indicam os estudos. No entanto, Fernando Colchero acredita que não exista um limite para quantos anos poderíamos viver. Um estudo recente publicado na revista Nature, no entanto, apontou que 115 anos seria um limiar muito difícil de ser ultrapassado.

No entanto, os mesmos estudos dão indícios que a redução dessa diferença na expectativa de vida entre homens e mulheres não dá sinais de que vá ocorrer. Susan Alberts, porém, acredita que é possível. “Nós apenas precisamos compreender as causas que dão origem a essas diferenças. Uma vez que entendemos isso, podemos acabar com algumas das desvantagens”, afirma.

Enquanto no Brasil a diferença de expectativa de vida entre homens e mulheres é de pouco mais de 7 anos, na Rússia o mesmo índice dá uma vantagem a elas de 12 anos. No passado, a participação dos homens na guerra era apontada como um dos fatores que contribuía consideravelmente para diminuir a longevidade masculina.

Hiram Beltran-Sanchez, demógrafo que também publicou um estudo na revista Proceedings, analisou os dados de mortes nos últimos 200 anos, especialmente relacionados às doenças com maior índice de mortalidade. Ele concluiu que, apesar de essa diferença entre os sexos sempre ter existido, ela já foi menor.

No entanto, uma vez que os antibióticos foram descobertos e comidas mais nutritivas se tornaram disponíveis, as chances de morte entre as mulheres caíram 0,29% enquanto entre os homens apenas 0,17%. Ele aponta ainda que as doenças cardiovasculares e doenças relacionadas ao cigarro são ainda os pontos que mais pesam na balança contra os homens.

Portanto, na dúvida sobre o que fazer para mudar esse quadro, os homens devem seguir alguns conselhos básicos: adotar hábitos de vida mais saudáveis e fazer consultas regulares ao médico são fatores primordiais para aumentar a expectativa de vida.

Fonte(s): G1, BBC, LA Times e Proceedings