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Por que as mulheres enxergam mais cores do que os homens?

Entenda qual é a explicação biológica para que as mulheres consigam ter uma percepção de cores diferente do que a dos homens.

26 de março de 2019 - Maxifarma

Será mito ou verdade que as mulheres enxergam mais cores do que os homens? No que depender dos estudos realizados até hoje, há uma tendência e uma grande possibilidade de que sim. Uma parcela das mulheres pode enxergar mais cores do que os homens.

Essa vantagem estaria ligada ao cromossomo X. As mulheres têm dois cromossomos como esse (XX), enquanto os homens têm apenas um (XY). Um dos estudos mais emblemáticos já realizados sugere que a causa para esse fenômeno é o tetracromatismo. Vamos explicar como isso funciona.

Tetracromatismo: a possibilidade de enxergar até 100 vezes mais cores

Um estudo publicado em 1993 pelos cientistas Gabriele Jordan, da Universidade de Newcastle, e John Mollon, da Universidade de Cambridge, indicou que pode haver, sim, uma diferença na maneira como os homens e as mulheres enxergam e a explicação para isso é genética.

A maioria das pessoas possui três tipos de cones, que nos auxiliam a perceber a diferença entre as cores:

  1. O primeiro responde à luz com comprimentos de onda longos (como o vermelho)
  2. O segundo responde à luz com comprimentos de onda médios (como o verde)
  3. O terceiro responde à luz com comprimentos de onda curtos (como o azul)

©Ministério da Saúde

Daltônicos, por exemplo, têm defeito em um dos cones e, por essa razão, têm dificuldade de fazer distinção entre elas, especialmente entre o vermelho e o verde. Alguns animais com a visão mais aguçada, como os peixes dourados, contam com um quarto cone e, possivelmente, fazem uma distinção entre as cores ainda melhor do que nós. E muitas mulheres também podem ter esse quarto cone.

O cromossomo X carrega dois tipos de cones, que auxiliam as pessoas a perceberem as cores verde e vermelha. Assim, de acordo com a teoria formulada pelos pesquisadores, as mulheres, por possuírem dois cromossomos X poderiam, em teoria, carregar quatro cones diferentes, ampliando assim o espectro de cores visível. Já os homens, que possuem apenas um cromossomo X, não teriam essa possibilidade. Esse fenômeno é batizado de “tetracromatismo”.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores passaram quase duas décadas administrando testes de cores com voluntários. Em muitos casos, a diferença entre as cores era tão sutil que somente os diagnosticados com tetracromatismo eram capazes de perceber algum tipo de diferença.

Segundo estimativas, acredita-se que 1% da população mundial possa ter genes tetracrômicos. No entanto, esse diagnóstico não dos mais simples, até porque a diferença de um pessoa tetracromata para uma pessoa normal é menos sutil do que de um daltônico para uma pessoa normal.

Distinção entre cores: ponto para algumas mulheres

Não se trata aqui de fazer uma competição para descobrir quem enxerga melhor, mas sim de uma característica genética que dá às mulheres a possibilidade de que elas percebam um espectro maior de cores. Essa característica, no entanto, é considerada rara mesmo entre as mulheres e não são todas que conseguem enxergar um espectro maior do que o dos homens. Na maioria dos casos, há igualdade nesse sentido.

Um outro estudo publicado pelo Biology of Sex Differences indicou que na maior parte do espectro visível os homens precisam de comprimentos de onda ligeiramente maiores para perceber as mesmas tonalidades. É por essa razão que cores consideradas quentes, como o “laranja”, pode parecer mais avermelhados e intensos para os homens. Por outro lado, tons de verde tendem a ser percebidos de mais intensa pelas mulheres, enquanto os homens podem ter uma visão um tanto quanto amarelada dessa cor.

Por fim, o estudo conduzido pelo professor Israel Abramov, do Brooklyn College, concluiu ainda que os homens são menos propensos a distinguir as cores que estão no centro do espectro, como os azuis, os verdes e os amarelos.

Fonte(s): BBC, Revista Galileu, EBC, SCI Planet e National Geographic