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Por que 8 de março é o Dia Internacional da Mulher?

Resultado de anos de luta por melhores condições de trabalho, a história do Dia Internacional da Mulher explica por que essa data vai muito além das flores.

08 de março de 2019 - Maxifarma

Você já presenciou alguma discussão sobre a data de 8 de março não ser motivo para comemoração, flores e presentes? Pois saiba que isso tem a ver com o contexto de como surgiu o Dia Internacional da Mulher, que o torna muito diferente das datas puramente comerciais.

Embora a explicação mais famosa para essa data seja um incêndio ocorrido em uma fábrica de tecidos de Nova York que matou 125 trabalhadoras, suas primeiras raízes são um pouco anteriores – e o estabelecimento “oficial” da data no mundo ocidental foi acontecer quase 65 anos depois.

Uma luta que se iniciou no chão de fábrica e passou pelas urnas

As origens do Dia Internacional da Mulher remetem aos movimentos operários dos Estados Unidos e da Europa no final do século 19, quando as mulheres começaram a se organizar e protestar contra as péssimas condições de trabalho nas fábricas.

Na época, as trabalhadoras lutavam contra as jornadas de 15 horas por dia, os salários baixíssimos e o trabalho infantil, práticas que se tornaram comuns depois da Revolução Industrial. Dentro desse contexto, a data do primeiro movimento feminino é inexata, pois havia várias manifestações ocorrendo simultaneamente em diversas partes do mundo.

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Mulheres trabalhando em uma fábrica de roupas em 1915 / ®Huffpost

Entre elas, um evento que ganhou notoriedade foi uma grande passeata ocorrida em Nova York em 1908, na qual 15 mil mulheres marcharam em prol de melhores condições de trabalho e do direito ao voto, de modo que o movimento operário se encontrou com o movimento sufragista.

Apesar disso, o primeiro registro de uma celebração intitulada “Dia da Mulher” é de 28 de fevereiro de 1909. O evento foi organizado pelo Partido Socialista Americano por iniciativa de Theresa Serber, uma americana de origem russa que foi a primeira operária a liderar o partido, como forma de marcar o aniversário da grande passeata do ano anterior.

Enquanto isso, ocorria um movimento semelhante na Europa. Durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres, realizada em 1910 em Copenhagen, na Dinamarca, uma líder política de origem alemã chamada Clara Zetkin propôs que as mulheres de todos os países realizassem manifestações anualmente, sempre na mesma data.

A ideia foi aprovada por mais de 100 mulheres representantes de sindicatos, partidos políticos e organizações femininas provenientes de 17 países. Assim, em 19 de março de 1911, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado por mais de 1 milhão de homens e mulheres na Áustria, na Dinamarca, na Alemanha e na Suíça, com ações que defendiam o direito feminino ao voto, ao trabalho e à ocupação de cargos públicos e o fim da discriminação no trabalho.

O incêndio, a Revolução Russa e o Dia das Mulheres

No dia 25 de março de 1911, menos de uma semana depois das manifestações do Dia Internacional da Mulher na Europa, ocorreu o conhecido incêndio em uma fábrica de tecidos de Nova York.

O fogo resultou na morte de 125 mulheres e 21 homens, em sua maioria judeus de 13 a 23 anos, trazendo ainda mais à tona as péssimas condições de trabalho nas indústrias. Dessa forma, o incêndio não fez parte da origem do Dia das Mulheres em si, mas acabou dando mais força aos movimentos operário e feminista nos EUA.

A data continuou sendo celebrada no último domingo de fevereiro, um costume que também foi adotado pelas mulheres russas. Em 1917, o Dia da Mulher foi marcado por uma série de passeatas e greves das trabalhadoras em Petrogrado, incluindo protestos contra a fome e as mortes durante a Primeira Guerra Mundial.

®Papo de Cinema

Revolução Russa de 1917 / ®Papo de Cinema

As manifestações se intensificaram e conquistaram as forças militares responsáveis pela manutenção da ordem pública, culminando na queda do Czar Nicolau II quatro dias depois. Assim, o Dia da Mulher daquele ano foi considerado o início da Revolução Russa.

Pelo antigo calendário russo, as manifestações ocorreram no dia 23 de fevereiro, data que corresponde ao dia 8 de março no calendário gregoriano, seguido pela maior parte dos países atualmente. Dados os seus desdobramentos, a data foi considerada oficial pelos soviéticos em homenagem às “mulheres heroicas e trabalhadoras”.

O resgate do Dia Internacional da Mulher

Já no fim da Segunda Guerra, o Dia da Mulher adquiriu um caráter mais comercial, pois os homens em posição hierárquica superior adotaram o costume de presentear suas empregadas com flores ou pequenas lembranças.

Assim, a data acabou perdendo seu significado original e caiu no esquecimento – sendo posteriormente resgatada pelo movimento feminista na década de 1960.

Contudo, a oficialização do Dia Internacional da Mulher nos calendários ocidentais só aconteceu em 1975, intitulado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Ano Internacional da Mulher, adotando-se então o dia 8 de março para lembrar as conquistas femininas nos campos econômico, social e político.

Hoje em dia, embora a tradição de oferecer flores ainda exista, esse costume divide espaço com as manifestações a favor da igualdade salarial e da ampliação dos direitos reprodutivos e com os protestos pelo fim da violência contra a mulher.

Agora que você sabe como surgiu o Dia Internacional da Mulher, fica mais fácil entender todo o contexto político e social que faz esta data significar muito mais do que receber flores e bombons, como celebrar mulheres incríveis que tornaram nosso mundo melhor, não é mesmo?

Fonte(s): BBCInternational Women's Day e ONU