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Mito ou verdade: a cárie em bebês é culpa da amamentação?

Os cientistas já provaram que a cárie em bebês não é culpa da amamentação! Saiba quais são os principais vilões da saúde oral dos pequenos.

25 de abril de 2018 - Maxifarma

Quando o assunto é o aleitamento materno, entram em cena dúvidas sobre a idade máxima da criança, a alimentação da mãe, a quantidade ideal de leite e a introdução de outros alimentos. Além disso, muitas mães se perguntam se a cárie em bebês pode aparecer por culpa da amamentação.

Para poder discutir esse assunto e chegar a uma resposta para essa dúvida, precisamos entender um pouco mais sobre o nascimento dos dentinhos e as ameaças à saúde bucal dos pequenos. Confira:

Como acontece o processo de dentição dos bebês

Os dentinhos começam a aparecer geralmente no período em que o sistema digestivo do bebê está desenvolvido. Esse processo costuma acontecer a partir dos 6 meses e deve ter sido completado (com 20 dentinhos de leite) até os 36 meses de vida.

Durante a sua formação, os dentes são cobertos por uma película que se forma a partir das proteínas da saliva e do fluido gengival. Essa camada pode servir como suporte para alguns micro-organismos responsáveis pelo surgimento da placa bacteriana, que se desenvolve principalmente a partir da ingestão de açúcar.

Em consequência da digestão desses açúcares pelos germes, ocorre a produção de ácidos que diminuem o pH bucal, e é isso que corrói algumas partes dos dentes e forma as tão temidas cáries.

A cárie nos bebês é culpa da amamentação?

Além de proteínas, gorduras, vitaminas e anticorpos, o leite materno contém açúcares, mas sua quantidade não é suficiente para causar uma mudança significativa no pH bucal a ponto de corroer os dentes.

Ainda, o leite materno tem propriedades que dificultam o crescimento e a multiplicação das bactérias, o que ajuda a proteger os dentinhos do bebê. Ou seja, já podemos adiantar que a amamentação por si só não é responsável pelas cáries.

Existem alguns estudos defendem que a amamentação em livre demanda, mamadas prolongadas e em alto número durante o dia e a amamentação noturna frequente poderiam fugir de um “padrão saudável”, tornando o bebê mais propenso ao aparecimento das cáries.

Justamente por isso, ainda é muito comum que as mães sejam equivocadamente orientadas a deixar de amamentar o bebê por períodos prolongados ou à noite, mas isso não deve ser tomado como verdade absoluta.

Em primeiro lugar, não existe uma única definição do que seria um “padrão saudável” de amamentação, visto que os bebês têm necessidades diferentes. Além disso, outros estudos mostraram que a amamentação é um fator de proteção contra as cáries e que, na verdade, elas são causadas por outros hábitos.

A amamentação protege o bebê contra as cáries

A amamentação diretamente no peito, sem o uso de bicos artificiais, favorece o bom funcionamento do sistema respiratório do bebê, diminuindo o risco de ele respirar pela cavidade oral e ficar com a boca seca, um fator que aumenta o risco das cáries.

Além disso, a amamentação reduz os riscos de infecções do trato respiratório, que são favorecidas pelo ressecamento bucal. Em consequência, o bebê será menos exposto a medicamentos antibióticos ricos em açúcar, que poderiam causar desequilíbrio na flora intestinal e provocar o surgimento desses problemas dentários.

As mamadas noturnas não causam cáries, mas o açúcar sim

Assim como acontece com os adultos, os bebês têm uma diminuição na produção de saliva quando dormem, o que poderia deixar os dentes mais vulneráveis às cáries depois de uma mamada noturna.

Contudo, contra esse argumento, temos o fato de que o leite passa somente pelo palato mole do bebê, sem ter contato com os dentes, e dessa forma não há como favorecer a proliferação dos micro-organismos. Portanto, as mamadas noturnas não são responsáveis pelo surgimento das cáries nos pequenos.

Outro ponto a favor da amamentação está no fato de que, ao se estudar comunidades primitivas nas quais os bebês eram amamentados em livre demanda, inclusive durante a noite, os pesquisadores descobriram que essas crianças tinham uma ocorrência muito mais baixa de cáries do que as da civilização moderna.

Não precisamos ir muito longe para descobrir duas grandes diferenças entre o período atual e o primitivo. O primeiro deles diz respeito às mudanças na alimentação, principalmente com o grande consumo de refrigerantes e doces que foram introduzidos ao nosso dia a dia. O segundo se trata da substituição do aleitamento materno por fórmulas e leites artificiais, que causam a chamada “cárie da mamadeira” – algo que não existia nas primeiras civilizações.

Além disso, é preciso considerar que a cárie é mais frequente em crianças de famílias com níveis de escolaridade e renda mais baixos, que têm um acesso mais limitado a informações sobre a amamentação e aos cuidados com a saúde bucal. Nessas famílias, também é mais comum a introdução precoce de outros alimentos além do leite materno, mais um fator que favorece o surgimento desse problema.

Como fazer a higienização da boca do bebê

Para bebês de até 6 meses alimentados exclusivamente com leite materno, deve-se fazer a higienização mais com o intuito de acostumá-los com essa prática – que se torna obrigatória apenas em casos de infecção, como o sapinho. Nessa fase, a limpeza pode ser feita com a utilização de uma gaze embebida em água filtrada.

A partir do nascimento dos dentes e da introdução alimentar, a higiene pode ser feita com uma escova de cerdas bem macias e pasta em quantidade equivalente a um grão de arroz cru pelo menos uma vez ao dia. Levar o bebê a consultas regulares ao dentista especializado em crianças (odontopediatra) também é um fator muito importante na prevenção de cáries e outros problemas bucais.

Agora que você tem todas essas informações, ficou muito mais simples entender que a cárie em bebês não é culpa da amamentação. Esses problemas bucais não são causados pela livre demanda ou pelas mamadas noturnas, mas sim pelo consumo de leites artificiais, alimentos açucarados e higienização inadequada. A amamentação só faz bem!

Fonte(s): JPED, Tão Feminino e Bebe.com